Manta de Retalhos

De tudo um pouco, sem ordem, esquema ou regra.


Todas as cartas de amor sãoRidículas.Não seriam cartas de amor se não fossemRidículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,Como as outras,Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,Têm de serRidículas.
Mas, afinal,Só as criaturas que nunca escreveramCartas de amorÉ que sãoRidículas.
Quem me dera no tempo em que escreviaSem dar por issoCartas de amorRidículas.
A verdade é que hojeAs minhas memóriasDessas cartas de amorÉ que sãoRidículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,Como os sentimentos esdrúxulos,São naturalmenteRidículas.)
Álvaro de Campos, 21-10-1935

    Todas as cartas de amor são
    Ridículas.
    Não seriam cartas de amor se não fossem
    Ridículas.

    Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
    Como as outras,
    Ridículas.

    As cartas de amor, se há amor,
    Têm de ser
    Ridículas.

    Mas, afinal,
    Só as criaturas que nunca escreveram
    Cartas de amor
    É que são
    Ridículas.

    Quem me dera no tempo em que escrevia
    Sem dar por isso
    Cartas de amor
    Ridículas.

    A verdade é que hoje
    As minhas memórias
    Dessas cartas de amor
    É que são
    Ridículas.

    (Todas as palavras esdrúxulas,
    Como os sentimentos esdrúxulos,
    São naturalmente
    Ridículas.)

    Álvaro de Campos, 21-10-1935

Notes